Vivemos como resultado do passado ou em razão do futuro?



Afinal, somos movidos por experiências do passado ou por expectativas do futuro? A pergunta não é retórica. Várias correntes de psicoterapia buscam resposta do sofrimento emocional humano desenterrando e enfrentando o passado. Para Martin Selligman, psicólogo e pesquisador norte-americano, a resposta à maioria das questões da nossa existência, incluindo o sofrimento, deve ser buscada na nossa capacidade de contemplar o futuro, ao poder de prospectar, da atração pelo porvir, sendo esse poder o que nos torna sábios e o que nos diferencia dos outros animais. Diz esse pesquisador que “enquanto a maioria das pessoas tende a ser otimista, aqueles que sofrem de depressão e ansiedade têm uma visão sombria do futuro - e isso, de fato, parece ser a principal causa de seus problemas, não os traumas passados ​​nem a visão do presente. Embora os traumas tenham um impacto duradouro, a maioria das pessoas emerge mais forte depois.” O pesquisador amparo nas pesquisas de imagens cerebrais, afirmando que “ao recordar um evento passado, o hipocampo deve combinar três informações distintas - o que aconteceu, quando aconteceu e onde aconteceu - e cada uma dessas respostas está armazenado em uma parte diferente do cérebro. Os pesquisadores descobriram que o mesmo circuito é ativado quando as pessoas imaginam uma cena nova. Mais uma vez, o hipocampo combina três tipos de registros (o que, quando e onde), mas desta vez ele busca a informação para criar algo novo.” Focando a depressão, o pesquisador lembra que “estudos mostram que pessoas deprimidas tendem a imaginar menos cenários positivos ao superestimar os riscos futuros.” E conclui que “os pesquisadores começaram a testar com sucesso as terapias projetadas para quebrar esse padrão treinando pacientes para visualizar resultados positivos e para ver os riscos futuros de forma mais realista.” Talvez seja cedo para criar, como esse autor sugere, um novo nome para os humanos, o ‘Homo prospectus’, mas sem dúvida o novo campo da Psicologia Prospectiva pode contribuir com criativas e empolgantes abordagens tanto no tratamento de transtornos emocionais quanto na construção da felicidade, junto à Psicologia Positiva. Mas talvez seja precipitação buscar toda e qualquer resposta para o funcionamento da mente humana na sua busca por respostas e oportunidades no futuro, o que seria o mesmo equívoco que procurar toda e qualquer resposta para a mente humana nas suas experiências do passado. Na minha opinião, o mais provável é que nossa mente funcione mais como um pêndulo, ora voltado para respostas às experiências do passado, à história pessoal, e em outro momento para prospectar o futuro em busca de respostas e planos. O curioso é que foi esse o caminho que o pesquisador utilizou para criar sua teoria, num primeiro momento amparando-se nas experiências e pesquisas do passado para em seguida criar uma nova visão do futuro. Talvez nossa mente funcione de modo semelhante. Fonte do texto de Martin Selligman (em inglês) https://www.nytimes.com/2017/05/19/opinion/sunday/why-the-future-is-always-on-your-mind.html

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