Sobre Homeopatia e correlatos



O jornal da USP publicou a opinião de um pesquisador brasileiro em genética que desanca a homeopatia, diz ele que trata-se de uma falsa ciência, de mero efeito placebo (efeitos no organismo frente a uma substância desprovida de ação farmacológica conhecida), de engodo, em suma. Não é bem assim. O que faltou a esse pesquisador considerar: 1. A homeopatia tem sido utilizada com sucesso por engenheiros agrônomos no controle de pragas em plantações, a ponto de existir pós graduação na área. Plantas não respondem a placebo, ou a homeopatia tem efeito, ela funciona, ou não funciona. Tanto funciona que está sendo utilizada como alternativa aos agrotóxicos com efeitos benéficos evidentes. 2. A homeopatia tem sido utilizada por médicos veterinários no tratamento de animais, já existem cursos de especialização na área. Cavalo, cachorro, gato não sabe o que é efeito placebo e assim obtém resultados terapêuticos fantásticos. 3. A homeopatia é uma especialidade médica reconhecida no Brasil, diversos cursos de especialização garantem conhecimento para a aplicação em humanos. 4. A Medicina Integrativa, corrente médica que adoto, é uma política de governo em diversos países, como o Brasil. Nos Estados Unidos, por exemplo, o equivalente ao nosso Ministério da Saúde possui 17 delegacias especializadas, sendo uma delas dedicada à Medicina Integrativa. Diversas universidades do mundo todo, várias na Europa, oferecem cursos nessa área, que inclui a Homeopatia e outras variações no uso de substâncias ultra-diluídas, como a homotoxicologia. Convém destacar que nenhuma forma de tratamento é panaceia universal. Há limites de ação. A indicação de uma cirurgia, por exemplo, não é um sinal de que as condutas medicamentosas ‘não funcionam”, mas sim de que a doença atingiu tal gravidade que os remédios não vão mais atuar de modo satisfatório. Existem indicações, e limitações, para a homeopatia, como em toda e qualquer forma de tratamento. O pesquisador Robert Sapolsky lembra que “no banquete do conhecimento, todos são convidados, mas é preciso bons modos à mesa e algum respeito aos cabelos brancos”. Pois foi isso que faltou a esse crítico. Quero crer que ele não tenha interesses no financiamento da Indústria Farmacêutica, que vê nas formas não convencionais de tratamento um sério concorrente ao lucro, ainda que às custas de sérios efeitos colaterais. Acredito mais que esse pesquisador esteja encantado com o funcionamento de seu pensamento, como uma criança maravilhada ao descobrir que consegue movimentar os dedinhos das mãos e dos pés. Faltou conhecimento científico, humildade e habilidades de pensamento crítico, caindo assim num erro clássico de ‘falácia obstinada’, descrita desde 1891 por C.S. Peirce (The Architeture of Theories). Em bom português, faltou prudência no ânimo, pudor ético e silêncio na língua.

Por Cyro Masci

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