"Qualidade de vida para uns não é a mesma para outros", diz psiquiatra

O que é ter qualidade de vida? Para um faquir indiano, que passe boa parte da vida se aperfeiçoando para sentir menos dor, provavelmente signifique um modo de vida bem diferente de alguém que more numa grande cidade, trabalhe em atividade administrativa e adore comer ostras.


O médico psiquiatra Cyro Masci afirma que é impossível determinar exatamente aquilo que gera uma vida com qualidade para uma determinada pessoa. "Valores pessoais, hábitos arraigados, rotina e planejamento de vida são todos fatores que contribuem para que cada um determine aquilo que traz qualidade ao dia a dia", afirma.



Escolhas


Algumas escolhas, afirma o especialista, podem ser saudáveis e interessantes para uns, e é natural que o que se comente mais sejam as atividades mais liberadoras de adrenalina ou mais exóticas. Mas isso não significa que, necessariamente, seja o melhor para todos.


Por exemplo, talvez uma pessoa adore ficar o final de semana inteiro jogado numa cadeira lendo contos policiais, mas tenha uma vida sedentária que justifique ao menos uma caminhada leve aos sábados e domingos. Ou ainda a única oportunidade para acompanhar os filhos ao circo quando o desejo espontâneo aponte para a cervejada com os amigos.


"A conclusão imediata é que em algum momento teremos situações e escolhas conflitantes. O primeiro conflito é com o tempo, com o que fazer com as horas que não são determinadas por nosso trabalho", explica Masci. E acrescenta: "Grande parte das pessoas deixa os finais de semana sem planejamento, acorda no sábado de manhã e fica até o meio dia na cama pensando no que irá fazer naquele final de semana. E se surpreende zanzando pela casa até o final do domingo".


É curioso como pessoas muito organizadas em diversas áreas de sua vida não tem a menor ideia do que fazer com o tempo livre, aquele em que não se está trabalhando. "Muitos inventam trabalho, outros improvisam qualquer coisa, e os mais sábios já pararam para pensar no que desejam nesta vida, equilibrando o ter coisas com o fazer coisas e com o ser coisas", analisa o médico. "Um mínimo de planejamento, aberto para fatos inesperados como trânsito ou mau tempo, são sempre bem-vindos", afirma.


Qualidade de vida talvez signifique, afirma Masci, exatamente um equilíbrio entre essas três facetas de atividades, levando em conta aquilo que se deseja encontrar no futuro se for possível e aquilo que não se pode deixar de fazer, ou de ser. "E mantendo a perspectiva de que não se tem notícia de alguém ter, nos momentos finais de sua vida, reclamado que poderia ter passado mais tempo no escritório, mesmo que em casa".

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