Psiquiatria e doenças gastrointestinais: qual é a relação?

Cyro Masci, médico psiquiatra, destaca a importância de cuidar da saúde mental, tanto para facilitar a recuperação de pessoas que sofrem de doenças gastrointestinais quanto para prevenir que portadores de doenças do trato gastrointestinal desenvolvam transtornos psiquiátricos




A “medicina psicossomática, expressão que vem do grego psico (mente) + soma (corpo), e que foi atualizada mais recentemente no termo ‘medicina mente e corpo’, é uma das áreas da psiquiatria que se dedica a estudar a relação entre o cérebro - especialmente as emoções - e o corpo.

As situações em que a mente afeta o corpo são muito frequentes. Um estudo divulgado em 1997 pela OMS, Organização Mundial da Saúde, realizado em 15 países, constatou que 1 em cada 5 pessoas atendidas em ambulatórios de atenção primária, como de um clínico geral, sofrem de algum tipo de somatização, termo que resume os transtornos de doenças relacionadas às emoções.


Segundo o psiquiatra Cyro Masci, vários transtornos psiquiátricos, como ansiedade ou depressão, estão frequentemente associados ao surgimento ou piora de sintomas como diarreia, distensão e dor abdominal, dificuldade em engolir, mudanças na digestão ou do trânsito intestinal.


Cérebro e intestino


A relação entre o cérebro e o intestino se dá em uma via de comunicação, um eixo de ligação entre esses sistemas. “Algumas expressões populares já dão por certa essa conexão, como dizer que ao receber uma notícia ‘foi como levar um soco no estômago’, ou relatar a sensação de ‘borboletas no estômago’ em situações de medo ou raiva. E em períodos de tristeza, pode ocorrer perda do apetite”, explica o psiquiatra.


Masci esclarece que um dos distúrbios gastrointestinais mais frequentes é a Síndrome do Intestino Irritável. “Nesse tipo de enfermidade, em que existe dor ou desconforto abdominal somado a alterações na evacuação, como diarreia intercalado com prisão de ventre, ocorre uma inflamação do trato gastrointestinal que está claramente relacionada aos mecanismos de estresse nos seres humanos. Além disso, pessoas que sofrem dessa enfermidade apresentam frequentemente transtornos psiquiátricos associados. Esses transtornos incluem o transtorno de somatização, de ansiedade generalizada, de pânico e de fobias”, explica.


Já o refluxo gastroesofágico, que tem como principal sintoma a queimação na garganta e no peito, é influenciado pelas emoções e comportamento. “O estresse emocional e social, o cansaço crônico, o uso abusivo de álcool e de tabaco são considerados fatores desencadeantes ou agravantes da pirose. Além de interferir nesses fatores, a psiquiatria pode contribuir com medicações que modificam a percepção que a pessoa tem dos seus sintomas”, comenta Cyro Masci.


A úlcera péptica, que por muitos anos foi denominada de “úlcera nervosa”, teve seu tratamento bastante melhorado depois que a bactéria Helicobacter pylori teve seu papel esclarecido na origem dessa doença. Mas, segundo Cyro Masci, “não é possível atribuir somente à bactéria o aparecimento das úlceras - os fatores emocionais contribuem para o desencadeamento da úlcera péptica com frequência".


Cyro Masci conclui que “os transtornos gastrintestinais são muito frequentes na população em geral, e podem estar associados a vários transtornos psiquiátricos”. Por isso, o acompanhamento psiquiátrico com enfoque psicossomático, em paralelo ao tratamento clínico, é muito desejável e recomendável.


“Uma abordagem que enfoque a mente e o corpo como uma unidade é sempre preferível a uma terapêutica focada apenas nas lesões ou alterações funcionais. O objetivo é considerar no tratamento os fatores emocionais, biológicos e sociais envolvidos. A mente e o corpo formam uma unidade inseparável e indivisível.”, finaliza.


Mencionado em:


O Estado de São Paulo: https://bit.ly/3qlKhwV

Portal Globo: https://glo.bo/3gOYkba

Portal Terra: https://bit.ly/3gUf2F0

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