Notícias catastróficas aumentam ansiedade e estresse

O psiquiatra Cyro Masci afirma que a exposição repetida a notícias ruins, como em tempos de pandemia, pode levar ao aumento da ansiedade e das respostas ao estresse, acarretando comportamentos inadequados de proteção à saúde e busca por cuidados médicos. Isso acontece porque o cérebro humano herdou características dos seres primitivos, que sobreviveram à custa de muita antecipação de perigos.



Pesquisas recentes revelam que a exposição repetida a notícias ruins, como em tempos de pandemia, pode levar ao aumento da ansiedade e das respostas ao estresse, o que pode acarretar comportamentos inadequados de proteção à saúde e busca por cuidados médicos.

Segundo o psiquiatra Cyro Masci, isso não quer dizer que a culpa é da imprensa, por provocar medo. “Notícia é notícia. Nenhum jornalista briga com fatos, é sua obrigação divulgá-los, sendo impensável uma imprensa que não seja livre num país democrático e pluralista. É apenas tomando ciência dos acontecimentos que podemos mudar nossas realidades. O problema é esquecer que o ser humano tem um cérebro com algumas peculiaridades”, afirma o médico.

Os humanos primitivos só sobreviveram à custa de muita antecipação de perigos. “Quem dormia no ponto corria sério risco de vida, já que o ambiente sempre foi cheio de riscos. Como resultado, o cérebro foi primorosamente adaptado para armazenar situações perigosas”, explica Cyro Masci.


Memória emocional    


De acordo com o psiquiatra, a memória do ser humano é bastante influenciada pela interpretação das sensações físicas. “Se há desconforto diante de algo ou alguém, tal sensação é rapidamente armazenada como informação importante para a sobrevivência. E a partir daí a memória emocional será ativada em todas as situações iguais ou semelhantes”.

É exatamente o que acontece quando a pessoa toma contato com notícias ruins. “Imediatamente há desconforto físico, que rapidamente é interpretado como situação perigosa, e de modo totalmente desapercebido, armazenado em áreas do cérebro responsáveis pela sobrevivência biológica”.


Expectativa de vida


Esse ciclo vicioso de desconforto interpretado como perigo pode em grande parte ser rompido se a pessoa começa a pensar objetivamente nos fatos. A cada ano vive-se mais tempo que antigamente. Se o ser humano for deixado à própria sorte, dificilmente passaria dos 40 anos, que era a expectativa de vida nos idos de 1800. “Com a melhoria da nutrição, houve um salto para um pouco mais de 50 anos a partir de 1900, pulando para algo em torno de 60 anos com o advento dos antibióticos na década de 1940. Com as vacinas, mudanças nos hábitos de vida e melhor assistência médica, rapidamente os índices ultrapassaram a expectativa de se viver 70, 80 ou mais anos”, diz Cyro Masci.


É bem verdade que para boa parcela da mídia, notícia boa é notícia ruim. Parando novamente para pensar um pouco, esse fato é culpa dos próprios leitores. Afinal, qual leitor nunca se questionou se havia alguma coisa interessante na imprensa escrita, na TV ou na internet? Na ausência de catástrofes, segundo o psiquiatra, a resposta no geral é um muxoxo de que “não tem nada de bom”.


Novamente é um fenômeno do cérebro antigo. Os antepassados dos seres humanos adiantavam-se o tempo todo aos perigos, e essa característica foi herdada. O resultado é que quando não há problemas, a pessoa acaba criando um! E por via das dúvidas presta muita atenção a todo tipo de catástrofe, seja parando para ver um acidente na rua, seja para comentar com espanto uma calamidade, seja para absorver as notícias presentes na mídia.


A solução em tempos de pandemia é manter-se atualizado, mas mantendo o controle sobre a exposição a notícias ruins. Uma leitura rápida nas manchetes, duas ou três vezes ao dia, pode ajudar na seleção do que é informação necessária daquilo que pode ser mera curiosidade mórbida. Manter-se informado requer seleção das áreas superiores do cérebro, e não deixar sob o comando e seleção das áreas de alarme e sobrevivência, o que só levará à inundação de catástrofes, com consequências bem ruins para a saúde”, aconselha Cyro Masci.


Na imprensa:

Agência Globo: https://glo.bo/34s2sIn

Portal Comunique-se https://bit.ly/2Qn3X2g

Portal Terra: https://bit.ly/3ldLe7I

Estadão Conteúdo: https://bit.ly/3gpAVtD

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