Ansiedade: como as neurociências auxiliam a indicar os melhores tratamentos


O tratamento adequado da ansiedade deve não apenas reduzir os sintomas, o que é imprescindível, mas também favorecer a neuroplasticidade, a capacidade do cérebro de modificar suas estruturas. Várias substâncias, entre as quais os antidepressivos, têm o potencial de facilitar a plasticidade do cérebro, a formação de novas conexões mais saudáveis.


O consumo de antidepressivos no Brasil cresceu 23% entre 2014 e 2018, de acordo com levantamento da  Funcional Health Tech, prestadora de inteligência de dados e serviços de gestão de saúde, o que pode ser reflexo da nossa realidade: a Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que cerca de 9,3 % da população brasileira sofre de ansiedade, e 5,8% é portadora de depressão.


Apesar do nome, antidepressivos não são utilizados apenas para tratamento da depressão, sendo indicados também para tratamento da ansiedade. Segundo o médico psiquiatra Cyro Masci, “os antidepressivos favorecem não apenas o controle das emoções, mas também facilitam mudanças na estrutura e funcionamento do cérebro”.


De acordo com Masci, o tratamento adequado da ansiedade deve “não apenas reduzir os sintomas, o que é imprescindível, mas também favorecer a neuroplasticidade, a capacidade do cérebro de modificar suas estruturas.


Várias substâncias, entre as quais os antidepressivos, têm o potencial de facilitar a plasticidade do cérebro, a formação de novas conexões mais saudáveis”.

Cyro Masci explica que a ansiedade crônica “forma uma trilha no cérebro, um caminho que determina como sentir, pensar e agir. Uma abordagem que tenha por objetivo não apenas reduzir os sintomas deve modificar esse caminho, essa trilha no cérebro.“


Masci lembra que “há uma máxima em neurociências, a de que ‘neurônios que disparam juntos permanecem unidos’. Isso significa que as conexões do cérebro se fortalecem ou ficam mais fracas com o passar do tempo, dependendo do quanto e como são utilizadas. Nas regiões do cérebro responsáveis pela ansiedade de pessoas que sofrem com esse transtorno, há um fortalecimento de feixes neuronais, de canais de informação e reação relacionados à preocupação excessiva. Esse fortalecimento leva a um estado distorcido na interpretação dos acontecimentos e das sensações corporais. Na presença do transtorno de ansiedade, quase tudo leva a dúvidas e preocupações que, se não incapacitam, solapam a qualidade de vida e prejudicam as tomadas de decisões”, explica o médico.


Cyro Masci lembra que, felizmente, essa é uma via de dupla mão, ou seja, “o tratamento deve ter por objetivo não apenas enfraquecer as trilhas neuronais responsáveis pela ansiedade exagerada, mas também criar e fortalecer novas estruturas, novos caminhos mais saudáveis, permitindo que a preocupação exista, mas de modo proporcional às ameaças e desafios da vida, e limitada no tempo.”


O psiquiatra Masci explica que “essas conexões cerebrais ocorrem em áreas específicas do cérebro e todas dependem de transmissores químicos, como a serotonina, a adrenalina ou a dopamina. Os antidepressivos têm ação sobre um ou vários transmissores químicos, e sua escolha vai depender do quadro clínico, dos sintomas apresentados, pelos quais é possível realizar uma inferência de quais áreas e possíveis neurotransmissores estão exigindo correção”.


Essa intervenção, explica o psiquiatra, não é necessariamente realizada com antidepressivos tradicionais. Segundo o médico, “é possível estimular ou inibir essas conexões do cérebro com fitoterápicos, medicações homeopatizadas, e até mesmo nutrientes como aminoácidos ou vitaminas. Essas medidas não convencionais, se não substituem os antidepressivos clássicos, podem auxiliar a reduzir a dose necessária para seus efeitos benéficos. Essa é a base da abordagem integrativa em medicina”, segundo o médico.


O psiquiatra explica que, “a partir dessa mudança nas estruturas do cérebro, é possível obter efeitos mais sólidos em psicoterapia ou outras estratégias de mudança de comportamento. O que não pode ser perdido de vista é que não é possível pedir a alguém que seja menos ansioso, que se preocupe menos, quando se sabe que existem alterações bioquímicas no cérebro. Seria como pedir para alguém que está com o pé inflamado e doloroso, por conta de uma torção, esforçar-se mais numa caminhada, como se dependesse apenas da sua vontade e esforço. No tratamento da ansiedade, é preciso preparar o cérebro para facilitar as mudanças que se deseja”, finaliza Cyro Masci.


Na imprensa

Veja http://bit.ly/38bfCZ8

Terra http://bit.ly/2RjbhMC

O Globo https://glo.bo/30wBL1s

Estadão http://bit.ly/38ecf3v

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