• Cyro Masci

Nem otimista, nem pessimista: atualizado



Em 10 mil anos de história humana, pela primeira vez a população muito pobre, ou vulnerável, não forma a maioria das pessoas. Metade da população mundial agora está na classe média.

Segundo o World Data Lab (WDL - http://www.worlddata.io ), a classe média agora são mais de 3,5 bilhões de pessoas. É essa classe que tem acesso à educação básica, maior consumo de bens, maior segurança financeira e recursos para gastar com saúde, cultura e entretenimento.

E esse não é um fato isolado, mas uma tendência. Segundo o WDL, a cada segundo uma pessoa sai do estado de pobreza extrema, enquanto cinco pessoas entram na classe média.

Tirando o foco do nosso quintal, ao observarmos o planeta, constatamos que vários indicadores, como esse que acabei de apontar, estão melhorando. A mortalidade infantil está caindo, a renda melhorando, a saúde em progresso.

Mesmo com essas boas notícias, muitas pessoas mantém uma visão pessimista do mundo.

Hans Rosling, em seu livro Factfulness, descreve como aplicou um teste simples de indicadores globais (como renda, saúde, nascimentos, ou desenvolvimento humano) para pessoas instruídas em diversos países, e o resultado foi sempre o mesmo: invariavelmente erram e apontam índices muito abaixo da realidade. Na verdade, se chipanzés fossem submetidos a esse teste, respondendo de maneira aleatória, acertariam mais avaliações globais do que, por exemplo, estudantes de pós graduação na Europa ou até mesmo ilustres participantes do Forum Econômico Mundial.

Os motivos para essa distopia, visão distorcida da realidade, podem ser agrupados em:

1. Viés pessimista genético. Nossos ancestrais muito otimistas tiveram menores chances de sobrevivência. Somos herdeiros de um cérebro sempre pronto a focar no negativo;

2. Banco de dados na educação desatualizado. A velocidade de mudanças pode ultrapassar o aprendizado de professores e mentores, que com frequência alarmante, ensinam e opinam com dados de 20 ou 30 anos atrás, quando o mundo era outro;

3. Filtro do politicamente correto. Fenômeno bem contemporâneo, em diversos grupos sociais, incluindo redes e grupos de discussão na internet, a visão pessimista, a opinião cínica e ranzinza conquista mais atenção do que comemorar notícias concretas sobre fatos positivos. Notícia boa é notícia ruim, não apenas nos veículos de comunicação como nos grupos de discussão.

O remédio para essa visão distópica não é adotar uma postura otimista irrefletida, mas atualizar tanto os dados concretos sobre fatos do nosso planeta, quanto dos algoritmos do cérebro.

E se precisar de apoio numa metáfora, nosso mundo pode ser comparado com uma criança saudável nos primeiros anos de vida. Indicadores como crescimento, nutrição e desenvolvimento psicomotor estão indo bem, mas não da para descuidar, é necessário estar atento, cuidar e interferir para que o desenvolvimento continue, ainda faltam bons anos para alcançar sua plenitude..

#otimismo #saúdemental

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