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by Patrícia Gualberto

Há algum tempo o programa Fantástico, da Rede Globo, anunciou um prêmio de US$ 1 milhão a quem provar que a Homeopatia funciona. O símbolo escolhido pelo Fantástico não poderia ser mais coerente: dinheiro. Na verdade, a idéia foi da BBC (o original está em news.bbc.co.uk/1/hi/health/2512105.stm).

Para compreender melhor o que se passa, vamos voltar um pouco no tempo. O país que domina atualmente a indústria farmacêutica são os Estados Unidos. O crescimento dessa indústria ocorreu no início do século passado, quando o magnata Rockefeller adquiriu 70% das patentes dos remédios fabricados nos EUA e passou a empregar a mesma estratégia de produção em série desenvolvida por Henry Ford na indústria automobilística. No entanto, ao contrário dos carros, que tinham uma grande demanda espontânea, os medicamentos não eram vendidos segundo o desejo das pessoas, mas seguindo as prescrições dos médicos.

O filho de Rockefeller aplicou toda a pressão que podia sobre o governo, convencendo-o da necessidade da padronização do ensino médico e da conseqüente linha de conduta desses profissionais. Encomendou-se então a Abraham Flexner um estudo do perfil dessas escolas, que foi publicado em 1910. Nesse estudo, foi demonstrando que das 155 escolas médicas de então, apenas uma se encaixava nos padrões de medicina tipo linha de produção. Essa necessidade resultou num ensino mecanicista e voltado para a supressão dos sintomas da doença, e não de sua compreensão mais ampla. O controle da conduta final do médico, sua receita de medicamentos, já estava garantido.

Após esse relatório, o governo cortou os subsídios para as escolas médicas que não se adequaram aos novos preceitos. Ao mesmo tempo, demonstrou com US$ 6 milhões (valor da época, não corrigido) em subsídios sua satisfação com as escolas médicas que se adaptaram. Nenhuma escola de Homeopatia norte-americana resistiu a essa pressão econômica, e todas simplesmente desapareceram em poucos anos.

A Homeopatia oferece uma visão singular das doenças, mas seu modo de tratamento dificilmente se adapta ao estudo estatístico de grandes populações. Em outras palavras, é uma medicina absolutamente individualizada, que estuda e trata o paciente como pessoa única, e desse modo deve ser estudada com outro método.

Seria o mesmo que dizer: peixes e aves são animais; portanto, um peixe deveria voar. Quem trouxer um peixe voador, ganha um US$ 1 milhão! Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

No Brasil a Homeopatia é reconhecida como especialidade médica, e seus médicos fogem ao controle prescritor da indústria farmacêutica. Se no universo da alopatia as coisas já são dificeis, imagine com um concorrente direto! Quem se recorda dos movimentos contra a introdução dos medicamentos genéricos, e da verdadeira guerra que ocorreu na patente dos medicamentos contra a Aids, compreenderá que esse não é o primeiro, e nem será o último, ataque a uma medicina individualizada, de baixo custo e alta eficácia.

Fonte consultada: http://www.imh.com.br/gilson/Vitalism.htm

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